Dia da Conscientização do Autismo: música auxilia crianças com o transtorno


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No dia 2 de abril é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, transtorno que atinge uma em cada 160 crianças em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com levantamento, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) esteve presente em 8,4% dos alunos que possuem algum tipo de deficiência ou síndrome atendidos pelo Projeto Guri ‑ que é o maior programa sociocultural brasileiro, mantido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

O Projeto Guri dá acesso à música para crianças e jovens de 6 a 18 anos, independentemente de qualquer deficiência, síndrome ou transtorno. “É nas relações entre os diferentes que construímos nossa visão de mundo em sociedade. Ao longo de 22 anos de experiência, utilizando salas de ensino mistas, coletivas e inclusivas, percebemos o quanto é fundamental e saudável para o desenvolvimento humano equilibrado esta convivência”, analisa a gerente de Desenvolvimento Social da Amigos do Guri, Fabiola Formicola.

Na maioria dos casos, os profissionais de saúde indicam a música para auxiliar no desenvolvimento de pessoas com TEA. “Estudos mostram que a musicoterapia abre o canal de comunicação em diversos sentidos sensoriais, como o toque, a interação com o instrumento e a audição, deixando mais perceptíveis novas fontes sonoras. Além disso, auxilia na atenção e autonomia desenvolvendo assim suas habilidades de comunicação, cognitivas, motoras e sociais”, explica a Terapeuta Ocupacional Dayane Sanches de Castro, do Grupo São Cristóvão Saúde.

Nesse sentido, o Projeto Guri desenvolve uma abordagem de qualidade e igualdade de oportunidades, respeitando as particularidades de cada um dos alunos. “O TEA apresenta uma multiplicidade de gradações. O que quer dizer que cada criança atingida pelo autismo tem características muito particulares que devem ser observadas pelos educadores para o seu melhor desempenho. É por esse motivo que contamos, na nossa equipe pedagógica, com alguns profissionais engajados com o tema”, pontua a gerente pedagógica da Amigos do Guri, Valéria Zeidan.

A trajetória de Maria Clara Oliveira, 11 anos, mostra como a música pode auxiliar no processo de desenvolvimento. Filha única, Maria Clara só começou a falar com 9 anos. Após a investigação de vários profissionais de saúde, a mãe, Maria de Fátima Oliveira, recebeu o diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo. Foi a própria filha que se interessou pela música ao tomar conhecimento do Guri, mas a mãe acreditava que a dificuldade motora seria um impeditivo. Há um ano no Projeto, a aluna de violoncelo do Polo São Roque se esforça cada vez mais para avançar nos níveis de aprendizado. “Faz pouco tempo que ela voltou a falar e ainda assim se comunica com todos no Guri, faz amizade. No começo, ela gritava na aula, era muito hiperativa e tímida. Agora, está centrada, disciplinada e se esforça cada vez mais por conta da dificuldade motora”, comemora Maria de Fátima.

O aluno João Vitor de Souza, 13 anos, foi diagnosticado com TEA aos 7 anos. Os pais encontraram na música um apoio para o desenvolvimento do garoto, que sempre gostou de música, inclusive clássica, mas nunca suportou barulho. Mesmo com a resistência de João, os pais insistiram e incentivaram sua entrada no Projeto Guri. Ele hoje estuda percussão no Polo Itararé. “Sinto que a música mudou sua autoestima, ele sente que está fazendo algo especial e eu o recordo sempre de que esse desafio o torna corajoso para investir cada vez mais em seu potencial próprio”, conta a mãe, Márcia Jesus de Souza.

João se desenvolveu tanto que já faz parte de uma turma avançada. Socializa com os colegas e até ajuda quem está com dificuldade. O educador do adolescente, Alan Lessa, conta que o menino também o ensina: “Aprendo com ele em cada aula e dou mais atenção para que ele esteja no ritmo dos outros alunos e não desanime. Parte de seu aprendizado é muito rápida. Só preciso dar uma atenção maior na parte teórica e tentar mantê-lo sempre focado”, pontua o educador.

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