Jovens do Projeto Guri retornam de intercâmbio na Noruega e no Malawi


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Vitor, Guilherme, Elias e Thales. Foto: divulgação

Quatro jovens do Projeto Guri – maior programa sociocultural brasileiro, mantido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – participaram do programa de intercâmbio do MOVE (Musicians and Organizers Volunteer Exchange), criado pela organização parceira JM Norway e promovido no Brasil pela Amigos do Guri – uma das gestoras do Projeto Guri. Após uma vivência de seis meses  na Noruega e no Malawi, eles voltaram cheios de histórias e marcados por novas experiências.

Thales, Guilherme, Elias e Vitor partiram em janeiro para a Noruega, onde ficaram durante 15 dias em imersão junto com intercambistas de diversas áreas. Após essa convivência, o ex-integrante do Grupo de Referência de São Carlos, Thales, e Guilherme, supervisor educacional de percussão em São José dos Campos, seguiram para Trondheim, cidade do país nórdico. Já o educador de coral nos polos Pitangueiras e Sertãozinho, Elias, e Vitor, educador de percussão e bateria no Polo Batatais, partiram para Lilongwe, no Malawi.

Ao chegarem em pleno inverno norueguês, Thales e Guilherme ficaram impressionados com o silêncio, a beleza do país e a pontualidade da população. Thales realizou aulas de baixo com ritmos brasileiros na escola Trøndertun Folkehøgskole e até elaborou um pequeno material para isso, sem deixar de mencionar o lado cultural e histórico. Além disso, o ex-guri criou o Brazilian Music Festival para compartilhar a variedade de ritmos brasileiros, improvisação e linguagem musical. O evento abriu espaço para o samba e outros gêneros.

O jovem falou do momento da despedida: “Lembro do dia da graduação em Trøndertun, quando um amigo veio e disse: ‘Muito obrigado Thales, você me inspirou muito’. Isso resultou na composição Ha Det (tchau em norueguês) que fiz em homenagem as pessoas que conheci lá”.

Guilherme, de São José dos Campos, contou que conquistaram os noruegueses após tocarem: “Quando chegamos não chamamos tanta atenção, mas depois que tocamos nos tornamos ídolos! No Brasil, temos a pressão de sermos os melhores quando estamos em uma escola ou em um conservatório, mas lá, como a escola é aberta, eles não têm essa cobrança toda, ficam mais livres para estudar”, disse o jovem.

O percussionista frequentou aulas instrumentais e de bateria, deu aula e tocava jazz na escola Trøndertun. Além disso, Guilherme fez outros trabalhos voluntários com a FARK organização de cultura de Trondheim, onde ministrou oficinas para crianças de 3 a 5 anos incluindo brincadeiras e jogos musicais. “Montamos uma banda só com músicos brasileiros, a +55, que é o código DDI do Brasil e nos apresentamos no festival Mosaic. Me senti muito prestigiado”, disse ele.

Na Noruega, a dupla também deu andamento a um projeto de performance para idosos ao lado de um dançarino da Uganda e outro da África do Sul, em uma celebração da multiculturalidade.

Enquanto isso, no Malawi, Elias e Vitor se divertiam com os acolhedores malawianos, prestigiavam os eventos locais e lideraram diversos projetos. Elias, de Ribeirão Preto, ficou encantado com a simplicidade com a qual os músicos locais compunham. A partir dessa admiração surgiu a ideia de gravar um EP. Com cinco músicas, o disco se chama Laura, nome dado por ele a uma personagem que representa a comunidade gay. Agora, de volta ao Brasil, o educador quer trabalhar com seus alunos as faixas do seu CD.

Elias e Vitor organizaram um festival em Nkhotakota com música e fantoches feitos por eles. Vitor também deu andamento ao Ta Kagunda Project, criado por Eduardo Scaramuzza, Ananda Miranda e a norueguesa Karoline Asskildt, no ano passado. O projeto é voltado para meninas de 10 a 18 anos e tem como objetivo o ‘empoderamento’ feminino por meio da percussão. Essa iniciativa ultrapassa o ato de tocar tambor: fez com que as meninas da região e seus pais repensassem a ideia de que o sexo feminino não pode se interessar por determinados instrumentos.

Segundo Vitor, de Botucatu, o intercâmbio mudou sua visão em relação à música. “No segmento erudito temos que seguir o que está escrito, é mais regrado. Estou mudando para o popular por ter mais expressão e possibilidade de improvisar”, disse.

Para a Alessandra Costa, diretora executiva da Amigos do Guri, o programa MOVE consiste no desenvolvimento e troca de experiências dos alunos, educadores e o local de vivência durante o intercâmbio: “É uma oportunidade única para o desenvolvimento da prática musical. Além de ajudar os alunos e educadores do Projeto Guri a adquirir novas habilidades musicais, trata-se também de um momento para trocas culturais e de experiências, já que o MOVE proporciona uma intensa e rica vivência dos lugares para onde esses jovens são designados. Todos ganham com isso.”

Projeto Guri www.projetoguri.org.br

Patrocinadores e apoiadores do Projeto Guri – Amigos do Guri: Instituto CCR por meio da CCR AutoBAn e CCR SPVias, SABESP, SKY, CTG, EMS, Microsoft, Usina Colorado,  Caterpillar, Supermercados Tauste, Capuani, Grupo BB e Mapfre, Pinheiro Neto,  WestRock, VALGROUP, Banco Votorantim, Mercedes Benz, Catho, Hasbro, Cipatex, PPE Fios, Grupo Maringá, Raízen, Castelo Alimentos, Arteris e Cremer.

Sobre o MOVE

O MOVE (Musicians and Organizers Volunteer Exchage) é um programa de intercâmbio criado pela JM Norway, membro da JMI – Jeunesses Musicales International (associação sediada na Bélgica que reúne diversas organizações musicais em cerca de 70 países), em parceria com a instituição musical Music Crossroads, do Malawi e de Moçambique. Seu objetivo é o desenvolvimento da prática musical internacional.

Oito brasileiros já participaram do intercâmbio entre essas instituições: Jassá Aquino e Aydan Schmidt visitaram a Noruega no primeiro semestre de 2016, período em que os colegas Eduardo Scaramuzza e Ananda Miranda estiveram no Malawi. Em 2017, a Noruega já recebeu Guilherme dos Santos e Thales Simões Martins; no Malawi ficou Elias de Oliveira Junior e Vitor Lyra Biagioni.

Membro da JMI desde 2012, a Amigos do Guri também recebe os intercambistas: em 2016, estiveram aqui os noruegueses Ellen-Martine e Nikolai Gmachl-Pammer; e os moçambicanos Lalah Mahigo e Vando Infante. Em 2017 foi a vez dos moçambicanos Engristia Irina e Tiger Massuco, além dos noruegueses Sandra Skroedal e Ole Berget. Os nossos visitantes ficaram em São Carlos, em uma das regionais do Projeto Guri.

Sobre o Projeto Guri

Mantido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o Projeto Guri é considerado o maior programa sociocultural brasileiro e oferece, nos períodos de contraturno escolar, cursos de iniciação musical, luteria, canto coral, tecnologia em música, instrumentos de cordas dedilhadas, cordas friccionadas, sopros, teclados e percussão, para crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos. Mais de 49 mil alunos são atendidos por ano, em quase 400 polos de ensino, distribuídos por todo o estado de São Paulo. Os mais de 330 polos localizados no interior e litoral, incluindo os polos da Fundação CASA, são administrados pela Amigos do Guri, enquanto o controle dos polos da capital paulista e Grande São Paulo fica por conta de outra organização social. A gestão compartilhada do Projeto Guri atende a uma resolução da Secretaria que regulamenta parcerias entre o governo e pessoas jurídicas de direito privado para ações na área cultural. Desde seu início, em 1995, o Projeto já atendeu cerca de 650 mil jovens na Grande São Paulo, interior e litoral.

Sobre a Amigos do Guri

A Amigos do Guri é uma organização social de cultura que administra o Projeto Guri. Desde 2004, é responsável pela gestão do programa no litoral e no interior do estado de São Paulo, incluindo os polos da Fundação CASA. Além do Governo de São Paulo – idealizador do projeto –, a Amigos do Guri conta com o apoio de prefeituras, organizações sociais, empresas e pessoas físicas. Instituições interessadas em investir na Amigos do Guri, contribuindo para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, têm incentivo fiscal da Lei Rouanet e do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD). Pessoas físicas também podem ajudar. Saiba como contribuir: www.projetoguri.org.br/faca-sua-doacao.