Dia Internacional da Síndrome de Down: Alvaro Lopes é ex-aluno e funcionário do Guri


Alvaro Lopes - home

Durante os cinco anos em que foi aluno de canto coral e percussão do Projeto Guri, Alvaro Trindade Lopes sempre foi prestativo. Fazia questão de arrumar a sala de aula, organizava os instrumentos e ajudava com simpatia sempre que era requisitado. Ao completar 18 anos, teve dificuldade para entender que era hora de partir: Com essa idade, não poderia mais frequentar o curso. Mas foi aí que teve início uma nova fase na vida de Alvaro. Por indicação da coordenadora local, o jovem com síndrome de Down se inscreveu em um processo seletivo para auxiliar de polo. Hoje, passados dois anos, continua no emprego.

“Sempre imaginei que teria que ajudá-lo, mas o mérito de conseguir um emprego foi dele”, orgulha-se a mãe, Rita de Cassia Trindade. “O Projeto Guri não é uma instituição exclusiva para deficientes. Eles não tratam o meu filho de forma diferente.” Primeiro aluno e primeiro funcionário de inclusão de São José do Rio Preto, Alvaro demorou um pouco para entender as diferenças entre a posição de aluno e as novas responsabilidades como empregado. Foi um rito de amadurecimento, mas o compromisso e a paixão pela música fizeram com que ele superasse muitas dificuldades.

“No começo ele era arredio, pois achava que só tinha que acatar a minha ordem. Mas ele entendeu que era subordinado a outras pessoas também, que isso faz parte do trabalho. Tivemos que construir uma relação profissional no dia a dia”, contou Elaine Alves, coordenadora do Polo Regional São José do Rio Preto, há 12 anos no Guri. “Não foi fácil, mas Alvaro é doce e muito inteligente”.

Como empregado, Alvaro possui os mesmo direitos e deveres dos demais funcionários. “Outro dia, fui ao polo assinar uma advertência, pois ele tinha aprontado”, lembra a mãe. “Alvaro brigou com um colega e foi repreendido”, disse Elaine.

Prestes a completar 20 anos (no mês de abril), Alvaro fala com dificuldade, mas tem ótimo raciocínio. Seu ouvido para música é muito bom e sabe identificar com facilidade as vozes de Roberto Carlos e Tim Maia. Aluno do segundo ano do ensino médio regular, ele é representante de classe, coroinha na igreja que frequenta e também tem uma namorada.

O que o Alvaro acha do Projeto Guri? “Eu amo o Guri, eu amo a música e trabalho muito. Eu amo minha coordenadora também. Ela é brava, mas eu a amo”.